Flamengo promete CT com tecnologia e estrutura para Muricy e melhorias já na reapresentação

Nos últimos três anos, o Flamengo não deu importância às condições de trabalho para seus jogadores, mas pretende mudar isso antes que o time de Muricy Ramalho estreie em 2016. O clube garante que o técnico não vai precisar implorar para conseguir controlar a intensidade dos treinos e evitar ou diminuir as lesões que assombraram recentemente. A diretoria promete investir cerca de R$ 2 milhões em equipamentos para o chamado Centro de Excelência em Performance, que ficará no CT Ninho do Urubu, hoje com obras aceleradas.

— Ele sabe da nossa realidade, mas entendeu o que a gente está fazendo para chegar lá. Esse tipo de tecnologia beneficia o treinador. Aumenta desempenho e diminui lesões. A gente não tinha isso, agora tem — afirma o chefe do departamento médico, Márcio Tannure, responsável por recuperar o tempo perdido.

Ele coordena a implementação de um novo método de trabalho, em parceria com a empresa Exos, que detectou inúmeras falhas no processo e ficará no clube por um ano. Os problemas, contudo, já foram apontados por profissionais do Flamengo, alguns deles de saída após anos sem ter os pedidos atendidos pela diretoria.

— Em nenhum momento o diálogo aconteceu comigo. A parte administrativa não via isso como necessidade — reclama o fisiologista Claudio Pavanelli, que emprestou os próprios equipamentos para o clube, como GPS e monitor de frequência cardíaca.

O fisioterapeuta Fabiano Bastos, no Flamengo desde 2002, lamenta que a diretoria tenha custado a investir na modernização após formar profissionais para a seleção brasileira.

— Todos os clubes evoluíram, mas o Flamengo ficou para trás — constata o especialista, relatando a rotina de 2015 com constante troca de técnicos e pedidos por equipamentos: — Quando mudava o preparador físico, estourava na gente. Sempre mandei as listas. Estamos chegando perto do básico só agora. A gente não tinha nem isso para trabalhar.

O cenário levou a diretoria a buscar permutas com empresas. O Flamengo terá, na reapresentação, equipamentos para fazer a avaliação de perfil genético dos atletas, ver intolerâncias alimentares e propensão a lesões.

Além disso, uma clínica será parceira em exames sofisticados com análise por meio de câmeras em 3D. Por fim, foram comprados aparelhos de GPS, controle de carga e câmera termográfica para detectar lesões.

— Não ficaremos atrás de nenhum clube no Brasil — promete Tannure.

O Flamengo promete que o Ninho do Urubu estará de cara nova no fim de janeiro, quando a equipe voltar da pré-temporada em Mangaratiba. Segundo o vice de patrimônio do clube, Alexandre Wrobel, a área dos contêineres improvisados será aumentada para receber os novos equipamentos, e a estrutura provisória servirá para a base quando o módulo profissional estiver pronto, até outubro.

— Aumentaremos a sala de musculação, o alojamento, o vestiário. Toda a pavimentação estará pronta em fevereiro — garante.

Até o muro dos tijolinhos, que ficou esquecido, deverá ganhar decoração especial.

— O muro dos tijolinhos será mantido. Vamos recuperá-lo, fazer um paisagismo — anuncia Wrobel.

Uma das maiores queixas, a piscina deve sair do papel, com direito a correnteza.

Fonte: EXTRA