Arão e Aírton mudaram de lado e são peças fundamentais neste sábado

O futebol tem dessas coisas. Flamengo e Botafogo voltam a fazer um clássico no Maracanã deste sábado, às 17h, depois de 616 dias longe do estádio — o último foi uma vitória alvinegra por 1 a 0, no Carioca de 2015. Mesmo com meias eficientes, como Diego e Camilo, e atacantes em boa fase com as redes, como Guerrero e Sassá, os dois maiores personagens da partida — e da rivalidade — são jogadores de uma das posições menos valorizadas em campo: os volantes Willian Arão e Aírton.

Arão é o pivô de uma polêmica que acirrou a rivalidade entre Flamengo e Botafogo, pelo qual foi destaque da campanha na Série B no ano passado. Ele não renovou contrato com o alvinegro e acertou sua ida para o rubro-negro, abalando a relação entre as duas diretorias. Atualmente, o volante de 24 anos se defende em uma ação movida pelo Botafogo na Justiça do Trabalho. Em campo, seu futebol parece ter evoluído. Nenhum jogador do elenco atuou mais do que ele no ano: foram 57, em 61 partidas oficiais do Flamengo, e sete gols — Jorge, o segundo que mais entrou em campo, tem 50 jogos. No Brasileiro, só ficou fora em um rodada.

Contratado em 2014 pelo alvinegro, Aírton parecia que jamais conseguiria receber o carinho do torcedor do Botafogo por um motivo simples: jogou no Flamengo, tendo sido titular na campanha do título brasileiro em 2009. Após um primeiro ano difícil, que terminou em rebaixamento e uma segunda temporada de dúvidas, quando chegou a treinar separado do elenco, o jogador de 26 anos deu uma reviravolta. Neste ano, ele até revelou uma foto sua na infância comemorando um aniversário com a camisa do Botafogo, mas foi com a bola no pé que conquistou respeito.

Sua temporada só não é melhor devido às lesões que o perseguem. Com ele em campo, o Botafogo tem números impressionantes no Brasileiro. Foram 10 vitórias, quatro empates e só três derrotas em 17 jogos. O rendimento de 66,6% só é menor do que o desempenho do líder Palmeiras, que tem 67,7%.

LEANDRO ÁVILA VÊ ESTILOS DIFERENTES

Campeão brasileiro pelo Botafogo e carioca e da Mercosul pelo Flamengo, o ex-jogador Leandro Ávila, que também atuava como volante, vê diferença de estilos dos dois jogadores:

— O Arão tem um pouco mais de facilidade de chegar ao ataque com a bola. Ele vai bem na chegada à área adversária, vindo de trás, e até aparecendo próximo do gol, como um meia. Só não pode ir muito para não deixar o companheiro (Márcio Araújo) sozinho. Já o Aírton tem qualidade e se posiciona bem, mas não chega tanto. Ele não é um jogador que aparece tanto para a torcida, mas é importante. Ele marca, orienta, tem bom passe.

Sobre mudança de time para o arquirrival, Leandro Ávila pode falar como poucos. No Rio, ele atuou nos quatro grandes clubes e acredita que os atuais volantes de Flamengo e Botafogo já tiraram de letra a situação.

— Quando o torcedor vê que você está vestindo a camisa e querendo, ele vai te apoiar. Tanto o Arão como o Aírton são dois bons jogadores que conseguiram trazer a torcida para eles. Difícil é para quem não tem personalidade — afirmou o ex-jogador, que vê o Flamengo com um leve favoritismo. — Está um degrau acima em termos de qualidade e quantidade, tem um elenco maior à disposição. O Botafogo está certinho, jogando bem, e superou a expectativa de 90% dos torcedores e comentaristas. De qualquer forma, é um clássico brasileiro. Nunca se sabe o que vai acontecer.

MISTÉRIO DOS DOIS LADOS

O jogo está longe de ser apenas um confronto entre dois volantes. A promessa é de um jogo equilibrado em todos os setores do campo. Melhor na tabela, o Flamengo precisa vencer para seguir vivo na caça ao líder Palmeiras, que tem cinco pontos de vantagem e enfrenta o Internacional, amanhã, em casa. Para o Botafogo, a partida é também uma chance de atrapalhar a vida do rival. Mais do que isso, o alvinegro disputa uma vaga na Libertadores do ano que vem. Em quinto, com 54 pontos, o clube está quatro pontos à frente do Corinthians, sétimo colocado.

— O Botafogo é muito competitivo. Já vinha assim com Ricardo Gomes, e com Jair Ventura teve continuidade e fortaleceu em alguns aspectos, principalmente na marcação — elogiou o técnico rubro-negro Zé Ricardo, que não terá Éverton e Mancuello, lesionados.

No Botafogo, o lateral-esquerdo Diogo Barbosa volta de lesão após quatro semanas fora. Jair fez mistério:

— O Diogo é privilegiado. Ele perdeu pouco na parte física, ficou 27 dias parado. Acaba perdendo o ritmo de jogo com lesão, mas tem uma chance aí…

O Botafogo estampará na camisa a marca de uma empresa chinesa, o que gerou críticas de alguns torcedores por causa da cor vermelha do logotipo.

Fonte: O Globo